domingo, 26 de fevereiro de 2012

"Xeque-mate"



   Se lembra de quando nos conhecemos naquela noite? Você me olhava enquanto eu dançava, descontraída e indiferente.
Você apenas observava. Algumas vezes esboçava um leve sorriso no canto da boca. Mas pra mim, você ainda era um “daqueles”, que em alguns minutos chegariam com alguma cantada idiota, e sairia humilhado com alguma resposta minha.
   O tempo passou,  e você continuava me observando, enquanto bebia seu drink. Mas me incomodou o fato de você não vir se apresentar. O fato de você não querer descobrir meu nome, ou algo sobre mim.
   Percebi que seria mais um daqueles jogos, de quem seria o primeiro a ceder, e mostrar algum interesse real. Seria mais dos famosos "jogos de poder". Eu já havia jogado  antes, conheço bem as regras, aliás já tenho minhas próprias regras. E sinceramente, eu nunca dispenso um bom jogo.
   Sua aparente inquietação me fez perceber que não era sua primeira vez. Você não era apenas um iniciante, já havia jogado varias vezes, e se deu bem. Não estava acostumado a perder. Não poderia prever que alguma garota seria capaz de não cair imediatamente aos seus pés, ou de resistir por mais de 20 minutos ao seu lindo sorriso, e sua barba por fazer dando um charme intencional ao seu maxilar perfeitamente desenhado. Mas nem isso fez com que você se rendesse. Afinal, no seu jogo você era o mestre, era você quem dava as cartas. 
   Por um momento também comecei a me inquietar, eu nunca havia me importado com ninguém daquela maneira. Nenhum homem, havia sido indiferente por tanto tempo, eles sempre se rendiam, e o principal nenhum deles era capaz de me manter interessada por mais de 5 minutos. Talvez aquilo fosse um “jogo” pra mim, mas pra você, podia não significar nada, ou talvez você não estivesse  tão interessado.
   De repente você se levanta, e se aproxima. Em questão de segundos, um dos seus braços envolve minha cintura, sua mão não estava mais livre, ela agora estava puxando levemente meus cabelos, enquanto você me beijava. Eu havia correspondido ao beijo, meu corpo estava quente, e completamente desarmado.  Então você simplesmente se afastou, e  foi embora. Sem se despedir, sem sequer saber meu nome, ou algo sobre mim..
   Fiquei paralisada no meio da pista, completamente estática, eu havia perdido no meu próprio jogo. Você se rendeu, e finalmente cedeu, mas não importava. Nada importava. Você foi o vencedor, conseguiu chamar minha atenção, e me manteve interessada  por uma noite inteira. Nunca pensei que esses jogos pudessem ser tão intrigantes, e que a sensação de um "Xeque-mate", pudesse ser tão perigosa e excitante. 

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