Se lembra de
quando nos conhecemos naquela noite? Você me olhava enquanto eu dançava,
descontraída e indiferente.
Você apenas observava.
Algumas vezes esboçava um leve sorriso no canto da boca. Mas pra mim, você
ainda era um “daqueles”, que em alguns minutos chegariam com alguma cantada
idiota, e sairia humilhado com alguma resposta minha.
O tempo
passou, e você continuava me observando,
enquanto bebia seu drink. Mas me incomodou o fato de você não vir se
apresentar. O fato de você não querer descobrir meu nome, ou algo sobre mim.
Percebi que
seria mais um daqueles jogos, de quem seria o primeiro a ceder, e mostrar algum
interesse real. Seria mais dos famosos "jogos de poder". Eu já havia jogado antes, conheço bem as regras, aliás já tenho minhas
próprias regras. E sinceramente, eu nunca dispenso um bom jogo.
Sua aparente
inquietação me fez perceber que não era sua primeira vez. Você não era apenas
um iniciante, já havia jogado varias vezes, e se deu bem. Não estava acostumado
a perder. Não poderia prever que alguma garota seria capaz de não cair
imediatamente aos seus pés, ou de resistir por mais de 20 minutos ao seu lindo
sorriso, e sua barba por fazer dando um charme intencional ao seu maxilar
perfeitamente desenhado. Mas nem isso fez com que você se rendesse. Afinal, no
seu jogo você era o mestre, era você quem dava as cartas.
Por um
momento também comecei a me inquietar, eu nunca havia me importado com ninguém
daquela maneira. Nenhum homem, havia sido indiferente por tanto tempo, eles
sempre se rendiam, e o principal nenhum deles era capaz de me manter
interessada por mais de 5 minutos. Talvez aquilo fosse um “jogo” pra mim, mas
pra você, podia não significar nada, ou talvez você não estivesse tão interessado.
De repente
você se levanta, e se aproxima. Em questão de segundos, um dos seus braços
envolve minha cintura, sua mão não estava mais livre, ela agora estava puxando
levemente meus cabelos, enquanto você me beijava. Eu havia correspondido ao beijo,
meu corpo estava quente, e completamente desarmado. Então você simplesmente se afastou, e foi embora. Sem se despedir, sem sequer saber
meu nome, ou algo sobre mim..
Fiquei
paralisada no meio da pista, completamente estática, eu havia perdido no meu
próprio jogo. Você se rendeu, e finalmente cedeu, mas não importava. Nada
importava. Você foi o vencedor, conseguiu chamar minha atenção, e me manteve
interessada por uma noite inteira. Nunca
pensei que esses jogos pudessem ser tão intrigantes, e que a sensação de um "Xeque-mate", pudesse ser tão perigosa e excitante.

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